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domingo, 10 de janeiro de 2016

[RESENHA] O Livro do Silêncio



Título: Deuses de Dois Mundos – O Livro do Silêncio | Autor: PJ Pereira | Páginas: 261 |Editora: Da Boa Prosa
Se você está cansado de ler sobre a mitologia grega e os conflitos entre os três irmãos do poder Zeus, Poseidon e Hades, ou sobre cavaleiros da idade média dignos da Távola Redonda do Rei Arthur, então vou lhe falar sobre algo que possa ser de seu agrado, Deuses de Dois Mundos – O Livro do Silêncio. O primeiro volume da trilogia de PJ Pereira, brasileiro, natural do Rio de Janeiro, que além de escritor é um grande Publicitário e mente por trás da Agência Pereira & O’Dell, que possui um trabalho internacionalmente reconhecido com diversos prêmios na área.

O autor se emprestou da mitologia Iorubá, originária do oeste africano e disseminada pelo Novo Mundo através do sistema escravocrata na América, gerando religiões como Umbanda, Candomblé e outras por entre as colônias européias. Os mitos ou crenças iorubas (depende do que você acredita) são muito ricos e é sempre interessante ver os orixás em ação, espécies de entidades e forças da natureza nascidos da força do Criador, ou seres humanos fantásticos que se tornaram como essas forças e assim converteram-se em orixás.


O livro desenrola-se em duas narrativas diferentes, uma em primeira pessoa através dos e-mails de Newton Fernandes, um jornalista paulista pronto pra usar de toda sua astúcia para subir o degrau do sucesso na sua carreira. Em seus e-mails ele descreve sua vida e estranhas experiências, viagens astrais, onde ele visualiza uma realidade de orixás e guerreiros extraordinários que parecem viver em outro lugar e tempo. New mantém contato com uma pessoa que utiliza o pseudônimo de Laroiê, que parece ter uma melhor noção sobre o que está acontecendo. 

A outra narrativa é feita em terceira pessoa e é onde localizamos a verdadeira problemática da trama e a razão das visões de Newton. Orunmilá, o maior de todos os adivinhos, vê seus instrumentos místicos falharem na tentativa de vislumbrar o futuro, isso ocorria não apenas com ele, mas como todos os outros adivinhos. É então que se inicia uma jornada para resgatar o Destino de volta, e para isso, Orunmilá precisará da ajuda de um grupo de guerreiros.

“Do meio da floresta, o adivinho se concentrou. Jogou os búzios. Todos os 16 emborcados numa sinistra mensagem repetida: Silêncio.”

A escolha pela mitologia Iourubá foi genial e em contrapartida gerou certa repulsa para algumas pessoas. É fato que apesar da cultura africana ser basilar na formação do povo brasileiro, ainda existe um preconceito absurdamente grande, um fenômeno que acredito nenhum antropólogo ter conceituado ainda. O choque com o politicamente correto surge em alguns momentos, trazendo uma ideia de honra e dignidade um pouco diferentes do que estamos acostumados, tratando alguns temas como coisas mais naturais, por exemplo, a sexualidade, que é marcante no livro, mas sem torná-lo promíscuo.

“Os dedos delicados continuaram a se arrastar pelo seu corpo marcado pela guerra, arrancando calafrios que o soldado jamais sentira. E foi no meio de um desses arrepios que o Oxum passou os lábios úmidos pelo rosto de um Ogum quase imóvel, não fosse o tremor que vez ou outra lhe desmascarava o aparente controle.”

A cisão de narrativa também gera uma divisória em como nos sentimos ao longo do texto, a vida de um jornalista ambicioso que passa a ter experiências sobrenaturais pode ser interessante até certo tempo, mas depois você cansa de ler sobre suas dicas gastronômicas que são compartilhadas com Laroiê, então é muito mais interessante ver Xangô e sua força descomunal, ou Oxóssi e sua eximia habilidade com o arco. Laroiê, por outro lado, me parece muito estranho, nós lemos apenas os emails de New, então podemos apenas deduzir o que Laroiê escreve, mas sinceramente, quem confia em um guru anônimo na internet? Parece muito forçado, mas acaba sendo aceitável em razão de Newton estar completamente perdido.



Esse sentimento de não saber onde está pisando se torna uma realidade não apenas do jornalista, mas nossa também. Para aqueles que não são grandes conhecedores dessa cultura, como eu, as informações trazidas não nos satisfazem e muitas vezes gostaríamos que o autor se empenhasse mais em nos instruir, acredito que a intenção dele era fazer com que desejássemos pesquisar mais a fundo por nós mesmos, mas não dá pra contar que todo leitor fará isso.

“Um cajado de prata, uma mão negra. Os pés descalços. Um rosto sereno e envelhecido, costas curvadas e joelhos enfraquecidos de um homem que aparentava uns 90 anos. Não sabia quem era, muito menos o que queria. Mas estava lá para me levar a algum lugar. Só podia ser um Deles. E se Eles quisessem me fazer algum mal, já o teriam feito.”

Uma das coisas que me incomodou foi a utilidade nebulosa de Newton, ele parece insignificante em parte considerável do livro, mas se ficar atento irá perceber como ele é fundamental na jornada dos heróis, para compreender isso é preciso que você tenha uma noção de Destino como algo que está muito além de futuro, na verdade esse conceito é apresentado como uma grande roda do tempo, portanto afetando passado, presente e futuro de uma vez só 

Algo que pode deixar o leitor confuso ao longo da obra é a utilização dos termos africanos, mas para isso existe um glossário ao fim do livro, aconselho que consulte-o e familiarize-se com ele e não tenha medo do dialeto, as palavras possuem uma fonética forte que dá uma sensação de força para quem lê. E mesmo com essas expressões a leitura é bem leve e fluída nas duas formas de narração, assim o livro acabou bem rápido e fiquei até um pouco frustrado porque estava esperando um clímax mais poderoso.



Em suma, a ideia central é muito boa, PJ realmente demonstrou que é cabível criar uma trama interessante e fantástica a partir de uma mitologia tão menosprezada, contudo o Livro do Silêncio parecer ter um caráter introdutório muito grande, o que deixou a função do protagonista um pouco borrada e sua vida tediosa em alguns momentos. Essas pequenas críticas que deixei ao longo da resenha podem ser sanadas nas continuações do livro que pretendo ler em breve.

Bom, essa é minha resenha e recomendação por hoje, espero que tenham gostado e apreciem a leitura de algo diferente e ainda assim tão presente no nosso país. Vale lembrar que o PJ já vendeu os direitos para a produção de um filme ou série, mas isso ainda está sendo debatido.

Axé* pra vocês! Até a próxima.


Abaixo o link do Book Trailer da obra narrado por Gilberto Gil, na boa, quem é que tem o Book Trailer narrado por Gilberto Gil?! 


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*Axé: Termo Iorubá para “energia, força”

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

[RESENHA] Herói - Emerson Dantas e Pimenta

SINOPSE

Em uma quarta-feira qualquer a vida pode se transformar completamente. No que parecia ser um dia comum, a história de Eric muda de forma inexplicável. Sendo apenas mais um em meio a tantos, com sua família normal, os mesmos amigos de sempre, e as inseguranças de qualquer adolescente, Eric sofre um acidente e quando desperta se vê em um lugar completamente estranho. Não há nada ao seu redor que faça sentido. Nada familiar. É quando ele decide se levantar e procurar uma maneira de voltar para casa, encontrando pessoas, perigos, amigos, inimigos, o amor; situações fantásticas que mudarão completamente o seu destino.
Título: Herói; Autor: Emerson Dantas e Pimenta; ISBN: 9788566725148; Ano: 2014; Páginas: 216; Editora: Buriti;

RESENHA

Eric é um garoto comum no ensino médio numa cidade no interior de Minas Gerais, vivendo diariamente com um grupo de fiéis e inseparáveis amigos. Sim, comum. Eric não nasceu com superpoderes. Não tem um histórico familiar agravante ou uma trágica busca por respostas. Eric é, sobretudo, comum, não clichê. Confesso que, quando iniciei a leitura esperava que ele e seus amigos sofressem um acidente, entrassem em contato com material radioativo e se tornassem super-heróis livrando o mundo de vilões perversos.
Bem, eles realmente sofrem um acidente. Entretanto, Eric acorda sozinho em uma espécie de universo paralelo e, diga-se de passagem, bastante medieval. É lá que encontra o reino pouco receptivo de Asterion e é preso por medidas preventivas, acabando por dar escapadelas da prisão por conta de um sentimento crescente pela princesa Elli.
O reino de Asterion é parte integrante de uma aliança de paz entre quatro reinos, renovada a cada ano por meio de um jantar – motivo pelo qual Eric foi mantido em custódia, à desconfiança de que ele fosse um feiticeiro. Se havia alguma sombra de maldade no rapaz, esta se tornou evidente quando, por um revés, foi pego na cena do assassinato de um nobre estrangeiro. Assim, para evitar sua morte, Eric foge com a princesa, levando o julgamento de que a teria sequestrado, e assim se inicia a trama do livro em busca da volta do garoto para sua terra, e da Princesa por sua mãe desaparecida.
Em uma escrita detalhada e paradoxalmente fluida, Herói traz uma narrativa espelhada em pequenas observações cotidianas, não chegando a ser prolixa, mas com uma escolha certa de palavras que faz toda a diferença na hora de imaginar a cena em questão. É um livro curto, rápido e perigosamente extenso. Não sei como demorei tanto para terminar.
A construção do ambiente em torno do livro foi bem construída, observando-se um excelente fundo de pesquisa por trás da escrita de Emerson Pimenta. As descrições do castelo, das vilas e dos caminhos pelos quais as personagens passaram, trabalhadas em uma riqueza absurda de conhecimento. 
As personagens centrais foram reveladas de forma interessante antes, durante e depois do decorrer do livro. Um grupo improvável formado entre uma princesa fugitiva, o namorado extradimensional acusado de assassinato e feitiçaria, o guarda real enviado para resgatá-los, uma criatura de espécie renegada e uma guerreira paga para destruí-los. Todos eles caíram de para-quedas na história.
Androw, o guarda brutamontes, uma figura aparentemente sem sentimentos além da fidelidade ao seu reino se mostra reservado desde o início. Um tipo com um jeito para boas batalhas, sendo ao tempo todo referenciado como touro no livro. Mesmo em situações mais complicadas se veem traços de sentimentalismo (ou melhor dizendo uma prévia disto) e humanidade no guerreiro, que segue lutando com seus ideais ao lado dos amigos.
A Princesa Elli, com uma história conturbada desde o peculiar desaparecimento da mãe encontra no namorado a esperança de tê-la novamente, ligada à ideia de perdê-lo, e desde então vem lidando com isso. Por mais que, em dados momentos a partir do início oficial da trama, fosse ela a tomar as decisões, Elli não se via tão segura quanto parecia, e isso ficou evidente após alguns diálogos “de rotina”.
Tigo mantém uma característica crescente de felicidade incondicional a partir do momento em que é salvo por Eric. Mesmo que perigosa, é uma criatura de pequenas dimensões e aspecto infantil, sendo sua presença durante a narrativa como a de uma criança sábia, fazendo observações coerentes e infantis durante a aventura.
Como uma Kira, Lori deveria seguir seu instinto mercenário e matar Eric. Entretanto, um traço de humanidade surge na acrobata e a deixa apaixonada pelo garoto, de forma que aos poucos vai se tornando uma personagem mais interativa sentimental e ideologicamente, se tornando fortemente ligada ao trabalho em equipe então desenvolvido.
Por fim, Eric. Já disse que ele é um garoto comum de uma cidade do interior? Eric tem um sonho: ser herói. Um garoto sem um preparo físico digno, condições financeiras agradáveis (principalmente naquele mundo), ou qualquer resquício de poder sobrenatural, como poderia ser um herói? É estritamente curioso, como coisas simples, como sua bondade, sua lealdade, e seu amor por Elli foram capazes de transformá-lo em um. No fim, o astuto Eric não precisou sofrer nenhum tipo de mutação. O poder estava dentro de sua bagagem. Um isqueiro. Um revólver? Não. A trajetória do herói fora na verdade o processo de amadurecimento da personagem. 
Arriscado dizer que, em contrapartida, o vilão por trás da trama conspiratória dentro do reino de Asterion se torna muito claro no início do livro – claro, poderia haver um engano –, entretanto a cada menção a esse personagem há uma confirmação de que é o vilão. Ou melhor, um dos. 
Afinal, surge ainda mais um vilão trabalhando em aliança com este primeiro por um mesmo propósito – com ideais diferentes é claro –, gerando uma certa reviravolta. Um antagonista, citado por vezes mas que só surge na história uma vez e acaba por firmar o amadurecimento da personagem central como um herói.
E, por fim, uma promessa de vilão para o próximo livro, desencadeada de eventos no mínimo macabros que ocorrem no fim da trajetória e antes do período narrado no livro. Penso que, na sequência de Herói, teremos uma trama ainda mais eletrizante e bem trabalhada, superando as expectativas da primeira.
Herói é um livro de aventura escrito sob medida. Mesmo suas cenas ocorrem com algum propósito e algum envolvimento na trama original do livro. As cenas de ação do livro têm uma boa duração e não enjoam, sendo escritas a detalhes reflexivos, que acabam por ater o leitor de vez à narrativa. 
Com seus traços de romance, Herói não remete aos clássicos e trágicos – leia-se clichês – romances adolescentes da literatura atual, de forma que o amor entre Eric e Elli segue uma linha tênue e comum, mas que tem grande efeito sobre o amadurecimento de Eric como Herói. 
O livro escrito por Emerson Dantas e Pimenta traz, finalmente, algo novo e genuíno para uma literatura brasileira contemporânea repleta de compra de ideias – para não se dizer plágio –. É um livro fantástico, para ler em casa, na escola, no trabalho ou nas nuvens, e é minha sugestão de livro nacional.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

[RESENHA] A Ordem Perdida - Gabriel Schimidt



Título: A Ordem Perdida
Autor: Gabriel Schmidt
Editora: Novo Século - Novos Talentos
Páginas: 167 - 1ª Edição

Sinopse: A Liga dos Yethis traz consigo o espírito de seis jovens guerreiros que precisam encontrar a Ordem. Um pequeno artefato que não demonstra o quanto a existência da humanidade depende dele. Ável com seus amigos terá de enfrentar inúmeros inimigos, diversas dimensões e poderes; além da fúria dos deuses adormecidos. Acompanhe a corajosa trajetória desse grupo que promete não desistir de sua busca.

A Ordem Perdida, o primeiro de uma série de sete livros escrita por Gabriel Schimidt trata de uma mitologia de deuses e titãs, e consequentemente suas atividades no espaço. Apesar de ser elaborada com base no modelo grego, não segue suas predeterminações, criando assim uma mitologia totalmente nova, a ser explicada inicialmente no prólogo do livro. Neste primeiro volume, a representação da ordem é raptada por uma entidade maligna para satisfazer seus misteriosos planos, e cabe  a uma série de personagens encontrá-la.
Sim, uma série de personagens.  O livro introduz uma quantidade estonteantemente grande de deuses, e com eles vem sua quantidade ainda mais estonteante de proles humanas (chamadas no livro de Yethis) e relações interpessoais, o que acaba se tornando pesado para um livro de 166 páginas, tornando praticamente, senão impossível, memorizar as informações básicas de cada personagem, e ao tentar lembrar implicitamente estas informações ao leitor nas passagens do livro, o autor cometeu alguns atropelos, deixando a atmosfera do livro um pouco granulada.
O livro é bastante dinâmico, alternando o ponto de vista do livro a cada capítulo para uma personagem diferente, o que nos dá a oportunidade de conhecer um pouco melhor cada personagem diante da extensa quantidade destes. 
Os Yethis estudam e residem por uma temporada única no ano no Castelo dos Yethis, onde se dividem de acordo com o deus que o gerou, cada uma destas divisões ocupando uma mesa e um dormitório, assemelhando-se explicitamente ao castelo de Hogwarts e ao Acampamento Meio-Sangue, instituições provenientes, respectivamente, das sagas Harry Potter e Percy Jackson. Outra semelhanças com estas se dão no fim do livro e na passagem "não é você que escolhe a arma, é a arma escolhe você". No entanto, apesar de Gabriel ter se inspirado bastante em ambos os livros, isso só ajudou a tornar A Ordem Perdida uma narrativa mais divertida e nostálgica, fazendo com que muitos fãs destas sagas que se findaram gostem do livro.
- Espere só um minuto... - interferi. - Você quer ir lá no meio daquele pessoal e simplesmente pegá-la pelos braços e levá-la para dentro do carro?
- Eu não explicaria melhor. (LISPECTOR, Harte)
O livro possui uma capa bastante significativa quanto ao conteúdo do livro, com uma ilustração de um castelo desfocada e escura em primeiro plano, tendo ao longe a ilustração de uma praia, com alguns prédios no fundo, evidenciando a existência oculta do castelo dos Yethis e da presença sobrenatural no Rio de Janeiro.
Há também ao longo do livro alguns erros gritantes de ortografia, pontuação, concordância e continuação, mas nada que influa no entendimento do mesmo. 


Livro nas redes sociais: Skoob | Hugulu
Compre o livro: Novo Século | Livraria Cultura | Saraiva



Esta resenha está participando do Desafio das Mil Páginas. Status: 1010/1000

terça-feira, 13 de maio de 2014

[RESENHA] O Mago de Camelot

Nem toda história que envolve magia contém simplesmente magia e inocência. Em "O Mago de Camelot" esse mundo fantástico tem traços literalmente medievais, onde a luxúria e a ira se manifestam nos mais influentes.

                                                                      
O LIVRO
Dados do Livro
Páginas:152
Edição: 1ª
Formato: 14 X 21
Acabamento: brochura
ISBN: 978-85-428-0059-3

Categoria: Ficção; Literatura brasileira

Sinopse:
​De uma infância pobre e sofrida à irresistível ascensão aos salões dos grandes reis; de um começo sem esperanças ao despertar de um poder inigualável, invejado e temido, Merlin,  é levado a se tornar o homem mais influente da Idade das Trevas. Confidente supremo do rei Artur e maior conselheiro da corte de Camelot. Misterioso e enigmático. Amado e odiado. Druida, monge e mago.Na Britânia do Século V da Era Cristã – abandonada pela queda do Império Romano à barbárie dos invasores saxões –, Merlin surge para impor um novo tipo de rei a um povo abatido e desesperado, alterando, para sempre, não apenas o destino dos britânicos, mas de toda a humanidade. A saga de um homem determinado a erigir uma civilização de paz e justiça numa terra devastada pelo caos e a guerra em uma aventura épica e brutal que equilibra realismo duro com doses amargas de magia.
Trecho da obra:"O druida, então, abriu um sorriso malévolo aos soldados saxões. Hengist gritava às suas tropas para se manterem firmes, mas sua vanguarda ruía à medida que um resoluto Merlin avançava, a passos largos, na sua direção. A defesa saxônica se fragmentava perante o pavor supersticioso imposto pela figura aterrorizante do druida.
Face à derrota iminente, Hengist se desesperou, girando seu machado e galopando para Merlin.
O druida estancou diante do ataque rápido e brutal do rei saxão. Sem tempo para conjurar um feitiço protetor, Merlin percebeu, tardiamente, a estupidez de seu erro. Em sua soberba e imaturidade, ambicionara vencer sozinho a batalha. Agora, contudo, sua queda restauraria o ânimo dos saxões, desgraçando o contingente britânico.
Merlin experimentou o fragor das narinas do cavalo e o tremor do solo sob seus cascos potentes. O machado de Hengist se projetou para lhe separar a cabeça dos ombros."


Em minha condição de leitor da literatura fantástica, eu nunca fui o tipo de pessoa fascinada pela trajetória (ainda que fictícia) de Merlin, e assim o máximo que conhecia acerca do mago era - pelas barbas de Merlin! - era seu papel de tutoria ao Rei Arthur, e então passei a conhecer uma boa parte dos detalhes e pormenores da história ao ler O Mago de Camelot.
Eu sempre imaginei Merlin como aquele velho majestoso e dotado de uma barba enorme, que bastava querer, e o mundo estaria em suas mãos. Na realidade, durante sua infância, Merlin passou por um tenso período de provações em sua infância. Sua mãe, uma prostituta de influência tão negativa quanto os adjetivos que proferia contra Merlin e seu irmão Nennius, não dava outra alternativa a estes senão uma vida de pequenos furtos para que pudessem sobreviver.
Após um longo tempo na prisão, os dois irmãos são libertados por Blaise, um mestre druida que, a pedido de um monarca, fará um ritual para proteger uma edificação central de guerra do reino cujo ingrediente é nada menos que o sacrifício dos dois irmãos. No entanto, ao tentar sacrificar Merlin, a natureza intervêm e Blaise acaba por assassinar Nennius, vendo no sangue do garoto a profecia da salvação do panteão druida. É assim que Blaise leva Merlin para Avalon - o lar dos druidas - para instruí-lo e ensiná-lo a controlar as forças da natureza. Os druidas representam, no livro, os seguidores de uma tradição de culto e fé aos poderes da natureza. São seres dotados de poderes inimagináveis, e no entanto temidos e dados como alvo de crítica e respeito.
"O Mago de Camelot" não é o que se pode chamar de livro envolto de mistério e suspense, tudo acontece em um jogo rápido, em que pormenores e enigmas não fazem parte do esquema narrativo. O autor deixa claro que a intenção não é inserir o leitor no contexto da história, como os livros de hoje em dia, mas apenas  contá-la. Não há qualquer enfoque nas relações e natureza de um personagem que se dê indiretamente, há apenas a trajetória de Merlin e sua aliança com Arthur, a fim de livrar a Britânia da hipocrisia e da religião criada e mantida pelos homens.
Ao ler O Mago de Camelot, é possível notar a riqueza do vocabulário do autor, que apesar de fazer o leitor consultar, muitas vezes, o significado de alguns termos, não deixa sombra de dúvidas acerca de qualquer momento da narrativa, a tornando clara e sólida. 
Por conter uma narrativa ás vezes incomum, eu como leitor devo dizer que a leitura foi um pouco demorada para um livro pequeno, como este. Apesar de sempre estar curioso para saber o que vinha a seguir e virar a página, eu acabei por não me deixar levar pela vontade insaciável de demorar o livro.
No entanto, a leitura se deu de forma prazerosa. Marcelo Hipólito transformou a já muitas vezes contada história de Merlin em um cenário inovador e crítico. Devo apontá-la como uma leitura saudável para admiradores de histórias medievais, fãs de "As Crônicas de Gelo e Fogo" e, certamente como livro paradidático, dada a presença de um pensamento iluminista na obra.






BIOGRAFIA DO AUTOR

MARCELO HIPÓLITO é um escritor brasileiro, nascido em São Paulo. É autor dos romances O Mago de Camelot: a saga de Merlin para coroar um dragão (Novo Século, 2013), Osíris: deus do Egito (Marco Zero, 2009) e Lúcifer: o primeiro anjo (Marco Zero, 2006).

Hipólito participa das antologias Fiat Voluntas Tua (Multifoco, 2009) e Metamorfose: a fúria dos lobisomens (All Print, 2009). Além disso, é autor do e-book Dullahan: os cavaleiros sem cabeça (Navras Digital, 2013) e coautor de diversos contos publicados em língua inglesa, nos Estados Unidos, Reino Unido e Espanha, dentre os quais se destaca Eternal Grief, indicado para melhor conto de horror nos Estados Unidos, em 2003, pelo Preditors & Editors Readers Poll.

Hipólito é também diretor de três filmes de curta-metragem de ficção, roteirista de cinema e produtor de teatro.
http://www.marcelohipolito.com/                           

             




segunda-feira, 10 de março de 2014

[PARCERIA] Autor Marcelo Hipólito

Saudações!
O blog Café com Letras acaba de firmar uma parceria com um autor de talento e destaque – nacional e Internacional. Marcelo Hipólito é o autor de “O Mago de Camelot” e outros 7 livros de ficção.

O AUTOR

MARCELO HIPÓLITO é um escritor brasileiro, nascido em São Paulo. É autor dos romances O Mago de Camelot: a saga de Merlin para coroar um dragão (Novo Século, 2013), Osíris: deus do Egito (Marco Zero, 2009) e Lúcifer: o primeiro anjo (Marco Zero, 2006).

Hipólito participa das antologias Fiat Voluntas Tua (Multifoco, 2009) e Metamorfose: a fúria dos lobisomens (All Print, 2009). Além disso, é autor do e-book Dullahan: os cavaleiros sem cabeça (Navras Digital, 2013) e coautor de diversos contos publicados em língua inglesa, nos Estados Unidos, Reino Unido e Espanha, dentre os quais se destaca Eternal Grief, indicado para melhor conto de horror nos Estados Unidos, em 2003, pelo Preditors & Editors Readers Poll.

Hipólito é também diretor de três filmes de curta-metragem de ficção, roteirista de cinema e produtor de teatro.
http://www.marcelohipolito.com/

                                                                                                                   

O LIVRO
Dados do Livro
Páginas:152
Edição: 1ª
Preço: R$ 24,90
Formato: 14 X 21
Acabamento: brochura
ISBN: 978-85-428-0059-3

Categoria: Ficção; Literatura brasileira

Sinopse:
​De uma infância pobre e sofrida à irresistível ascensão aos salões dos grandes reis; de um começo sem esperanças ao despertar de um poder inigualável, invejado e temido, Merlin, é levado a se tornar o homem mais influente da Idade das Trevas. Confidente supremo do rei Artur e maior conselheiro da corte de Camelot. Misterioso e enigmático. Amado e odiado. Druida, monge e mago.
Na Britânia do Século V da Era Cristã – abandonada pela queda do Império Romano à barbárie dos invasores saxões –, Merlin surge para impor um novo tipo de rei a um povo abatido e desesperado, alterando, para sempre, não apenas o destino dos britânicos, mas de toda a humanidade.

A saga de um homem determinado a erigir uma civilização de paz e justiça numa terra devastada pelo caos e a guerra em uma aventura épica e brutal que equilibra realismo duro com doses amargas de magia.

Trecho da obra:"O druida, então, abriu um sorriso malévolo aos soldados saxões. Hengist gritava às suas tropas para se manterem firmes, mas sua vanguarda ruía à medida que um resoluto Merlin avançava, a passos largos, na sua direção. A defesa saxônica se fragmentava perante o pavor supersticioso imposto pela figura aterrorizante do druida.
Face à derrota iminente, Hengist se desesperou, girando seu machado e galopando para Merlin.
O druida estancou diante do ataque rápido e brutal do rei saxão. Sem tempo para conjurar um feitiço protetor, Merlin percebeu, tardiamente, a estupidez de seu erro. Em sua soberba e imaturidade, ambicionara vencer sozinho a batalha. Agora, contudo, sua queda restauraria o ânimo dos saxões, desgraçando o contingente britânico.
Merlin experimentou o fragor das narinas do cavalo e o tremor do solo sob seus cascos potentes. O machado de Hengist se projetou para lhe separar a cabeça dos ombros."

Resenha em breve.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

[PROMOÇÃO] 2.0 O Chip


Heeeeeey galera! Como é começo de ano e muito estão pre-estabelecendo suas metas de leitura, resolvi sortear um livro. É o "2.0 O Chip". Trata-se de um livro de ficção-científica do novo escritor brasileiro Jeferson Rodrigo.
Para participar da promoção é simples. Basta:

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Boa sorte!
Luiz.