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terça-feira, 13 de maio de 2014

[RESENHA] O Mago de Camelot

Nem toda história que envolve magia contém simplesmente magia e inocência. Em "O Mago de Camelot" esse mundo fantástico tem traços literalmente medievais, onde a luxúria e a ira se manifestam nos mais influentes.

                                                                      
O LIVRO
Dados do Livro
Páginas:152
Edição: 1ª
Formato: 14 X 21
Acabamento: brochura
ISBN: 978-85-428-0059-3

Categoria: Ficção; Literatura brasileira

Sinopse:
​De uma infância pobre e sofrida à irresistível ascensão aos salões dos grandes reis; de um começo sem esperanças ao despertar de um poder inigualável, invejado e temido, Merlin,  é levado a se tornar o homem mais influente da Idade das Trevas. Confidente supremo do rei Artur e maior conselheiro da corte de Camelot. Misterioso e enigmático. Amado e odiado. Druida, monge e mago.Na Britânia do Século V da Era Cristã – abandonada pela queda do Império Romano à barbárie dos invasores saxões –, Merlin surge para impor um novo tipo de rei a um povo abatido e desesperado, alterando, para sempre, não apenas o destino dos britânicos, mas de toda a humanidade. A saga de um homem determinado a erigir uma civilização de paz e justiça numa terra devastada pelo caos e a guerra em uma aventura épica e brutal que equilibra realismo duro com doses amargas de magia.
Trecho da obra:"O druida, então, abriu um sorriso malévolo aos soldados saxões. Hengist gritava às suas tropas para se manterem firmes, mas sua vanguarda ruía à medida que um resoluto Merlin avançava, a passos largos, na sua direção. A defesa saxônica se fragmentava perante o pavor supersticioso imposto pela figura aterrorizante do druida.
Face à derrota iminente, Hengist se desesperou, girando seu machado e galopando para Merlin.
O druida estancou diante do ataque rápido e brutal do rei saxão. Sem tempo para conjurar um feitiço protetor, Merlin percebeu, tardiamente, a estupidez de seu erro. Em sua soberba e imaturidade, ambicionara vencer sozinho a batalha. Agora, contudo, sua queda restauraria o ânimo dos saxões, desgraçando o contingente britânico.
Merlin experimentou o fragor das narinas do cavalo e o tremor do solo sob seus cascos potentes. O machado de Hengist se projetou para lhe separar a cabeça dos ombros."


Em minha condição de leitor da literatura fantástica, eu nunca fui o tipo de pessoa fascinada pela trajetória (ainda que fictícia) de Merlin, e assim o máximo que conhecia acerca do mago era - pelas barbas de Merlin! - era seu papel de tutoria ao Rei Arthur, e então passei a conhecer uma boa parte dos detalhes e pormenores da história ao ler O Mago de Camelot.
Eu sempre imaginei Merlin como aquele velho majestoso e dotado de uma barba enorme, que bastava querer, e o mundo estaria em suas mãos. Na realidade, durante sua infância, Merlin passou por um tenso período de provações em sua infância. Sua mãe, uma prostituta de influência tão negativa quanto os adjetivos que proferia contra Merlin e seu irmão Nennius, não dava outra alternativa a estes senão uma vida de pequenos furtos para que pudessem sobreviver.
Após um longo tempo na prisão, os dois irmãos são libertados por Blaise, um mestre druida que, a pedido de um monarca, fará um ritual para proteger uma edificação central de guerra do reino cujo ingrediente é nada menos que o sacrifício dos dois irmãos. No entanto, ao tentar sacrificar Merlin, a natureza intervêm e Blaise acaba por assassinar Nennius, vendo no sangue do garoto a profecia da salvação do panteão druida. É assim que Blaise leva Merlin para Avalon - o lar dos druidas - para instruí-lo e ensiná-lo a controlar as forças da natureza. Os druidas representam, no livro, os seguidores de uma tradição de culto e fé aos poderes da natureza. São seres dotados de poderes inimagináveis, e no entanto temidos e dados como alvo de crítica e respeito.
"O Mago de Camelot" não é o que se pode chamar de livro envolto de mistério e suspense, tudo acontece em um jogo rápido, em que pormenores e enigmas não fazem parte do esquema narrativo. O autor deixa claro que a intenção não é inserir o leitor no contexto da história, como os livros de hoje em dia, mas apenas  contá-la. Não há qualquer enfoque nas relações e natureza de um personagem que se dê indiretamente, há apenas a trajetória de Merlin e sua aliança com Arthur, a fim de livrar a Britânia da hipocrisia e da religião criada e mantida pelos homens.
Ao ler O Mago de Camelot, é possível notar a riqueza do vocabulário do autor, que apesar de fazer o leitor consultar, muitas vezes, o significado de alguns termos, não deixa sombra de dúvidas acerca de qualquer momento da narrativa, a tornando clara e sólida. 
Por conter uma narrativa ás vezes incomum, eu como leitor devo dizer que a leitura foi um pouco demorada para um livro pequeno, como este. Apesar de sempre estar curioso para saber o que vinha a seguir e virar a página, eu acabei por não me deixar levar pela vontade insaciável de demorar o livro.
No entanto, a leitura se deu de forma prazerosa. Marcelo Hipólito transformou a já muitas vezes contada história de Merlin em um cenário inovador e crítico. Devo apontá-la como uma leitura saudável para admiradores de histórias medievais, fãs de "As Crônicas de Gelo e Fogo" e, certamente como livro paradidático, dada a presença de um pensamento iluminista na obra.






BIOGRAFIA DO AUTOR

MARCELO HIPÓLITO é um escritor brasileiro, nascido em São Paulo. É autor dos romances O Mago de Camelot: a saga de Merlin para coroar um dragão (Novo Século, 2013), Osíris: deus do Egito (Marco Zero, 2009) e Lúcifer: o primeiro anjo (Marco Zero, 2006).

Hipólito participa das antologias Fiat Voluntas Tua (Multifoco, 2009) e Metamorfose: a fúria dos lobisomens (All Print, 2009). Além disso, é autor do e-book Dullahan: os cavaleiros sem cabeça (Navras Digital, 2013) e coautor de diversos contos publicados em língua inglesa, nos Estados Unidos, Reino Unido e Espanha, dentre os quais se destaca Eternal Grief, indicado para melhor conto de horror nos Estados Unidos, em 2003, pelo Preditors & Editors Readers Poll.

Hipólito é também diretor de três filmes de curta-metragem de ficção, roteirista de cinema e produtor de teatro.
http://www.marcelohipolito.com/                           

             




sábado, 22 de março de 2014

O livro que li do começo ao meio.

Você está aí morrendo de tédio porque sua série favorita está em Hiatus ou de férias? Pois saiba que sua mágoa tem fim. Tudo o que é preciso fazer para isso é se tornar presidente dos Estados Unidos. Não prefeito, nem governador, nem desembargador, mas PRESIDENTE! 

Bem, se você ainda não sabe - vai ver estava dando uma voltinha na lua -, estava lá o então vencedor da Guerra dos Tronos da vida real, num jantar para o presidente da França deu um jeito de falar com o CEO da HBO. Foi então que, perguntou Obama: "Onde estão meus episódios de Game Of Thrones?" ou algo parecido - note que não era possível que ele estivesse se referindo à última temporada que foi lançada pois esta está tanto disponível nos canais fechados de televisão quanto na Internet -. Foi então que, irônica e fantasticamente, respondeu o representante do canal:" logo os episódios virão". E logo chegaram às mãos do presidente...
Isso é, comicamente, um bom motivo para querer se tornar presidente da república, e todo fã assíduo de qualquer série de livros ou de televisão deve concordar comigo. No entanto, se algum episódio ou spoiler vazar, todos sabem a quem culpar xD.

No meu aniversário, no ano passado, comprei um Box - o mais divo - da série de livros "As Crônicas de Gelo e Fogo" - a qual deu inspiração à série de TV Game of Thrones -, e devo dizer que a aquisição saiu um tanto quanto cara. Well, até aí tudo bem. O pacote chegou e tudo mais. Estava então eu lendo o primeiro livro, também intitulado "Guerra dos Tronos" na recepção da escola e precisei ir beber água. Guardei o livro na mochila e lá fui saciar minha sede. Quando voltei, bem... eu gostava daquele livro...
Em todo caso, mesmo não tendo lido todo o livro, eu já me considero apto a tomar meus partidos. Pra começar, o livro tem uma linguagem um tanto quanto rebuscada. Não, não me refiro à narração, mas ao diálogo dos personagens que evidencia uma boa representação da era Medieval. Os amantes desse estilo evidentemente se sentem mais confortáveis com esse linguajar, eu não.
Em todo o caso, logo no início você já sente a atmosfera de carnificina presente em Game Of Thrones, então se você começou a ler o livro por indicação de alguém ou fez uma pesquisa antes de lê-lo, já deve estar ciente de que: a) Não deve se apegar a nenhum personagem; b) George Martin dá aula para turmas de doutorado em Serial Killerismo ao lado de gente como J.K Rowling(Harry Potter), Rick Riordan (Percy Jackson) e a não menos conceituada Suzanne Collins(Jogos Vorazes). 
Bem, você pode achar que estou falando mal da obra de George Martin - lembre-se que eu nunca tento falar bem ou mal de autor ou livro nenhum, não importa quem seja -, mas para ler seus livros é preciso ter MUITA atenção, então o livro não é muito recomendado para semideuses ou para qualquer outra pessoa que sofra de dislexia ou déficit de atenção. Por que? Bem, vou dizer o porquê. 
Quando se começa a ler Guerra dos Tronos, a primeira impressão que você tem é que está começando a ler da parte errada - como se você devesse ler algo antes de começar o primeiro capítulo -, pois o livro começa como se você já estivesse habituado aos personagens, ao cenário e aos acontecimentos. É então que o primeiro capítulo começa a ficar interessante - quando digo interessante, é porque é o momento em que realmente dá pra entender alguma coisa -, e de repente o capítulo acaba. 
O que acontece? Inicia-se outro capítulo em um outro local, com outros personagens, com clima totalmente diferente e nenhuma ligação aparente com o capítulo anterior. Ah, mas logo vai melhorar... NÃO. Isso é um padrão que se repete, pelo menos até onde eu li.
Então se você tem preguiça, falta de atenção ou qualquer um desses tipos de problema NÃO LEIA GUERRA DOS TRONOS. Eu particularmente li até onde pude porque o caso que ocorreu na família Stark num dos primeiros capítulos realmente me tocou - e eu amei a família Stark -, e também li porque comecei a me interessar de verdade não pelo contexto do livro, mas pela singularidade de cada personagem - e que Deus os tenha.