Nem toda história que envolve magia contém simplesmente magia e inocência. Em "O Mago de Camelot" esse mundo fantástico tem traços literalmente medievais, onde a luxúria e a ira se manifestam nos mais influentes.
O LIVRO
Páginas:152
Edição: 1ª
Formato: 14 X 21
Acabamento: brochura
ISBN: 978-85-428-0059-3
Categoria: Ficção; Literatura brasileira
Sinopse:
De uma infância pobre e sofrida à irresistível ascensão aos salões dos grandes reis; de um começo sem esperanças ao despertar de um poder inigualável, invejado e temido, Merlin, é levado a se tornar o homem mais influente da Idade das Trevas. Confidente supremo do rei Artur e maior conselheiro da corte de Camelot. Misterioso e enigmático. Amado e odiado. Druida, monge e mago.Na Britânia do Século V da Era Cristã – abandonada pela queda do Império Romano à barbárie dos invasores saxões –, Merlin surge para impor um novo tipo de rei a um povo abatido e desesperado, alterando, para sempre, não apenas o destino dos britânicos, mas de toda a humanidade. A saga de um homem determinado a erigir uma civilização de paz e justiça numa terra devastada pelo caos e a guerra em uma aventura épica e brutal que equilibra realismo duro com doses amargas de magia.
Trecho da obra:"O druida, então, abriu um sorriso malévolo aos soldados saxões. Hengist gritava às suas tropas para se manterem firmes, mas sua vanguarda ruía à medida que um resoluto Merlin avançava, a passos largos, na sua direção. A defesa saxônica se fragmentava perante o pavor supersticioso imposto pela figura aterrorizante do druida.
Face à derrota iminente, Hengist se desesperou, girando seu machado e galopando para Merlin.
O druida estancou diante do ataque rápido e brutal do rei saxão. Sem tempo para conjurar um feitiço protetor, Merlin percebeu, tardiamente, a estupidez de seu erro. Em sua soberba e imaturidade, ambicionara vencer sozinho a batalha. Agora, contudo, sua queda restauraria o ânimo dos saxões, desgraçando o contingente britânico.
Merlin experimentou o fragor das narinas do cavalo e o tremor do solo sob seus cascos potentes. O machado de Hengist se projetou para lhe separar a cabeça dos ombros."
Em minha condição de leitor da literatura fantástica, eu nunca fui o tipo de pessoa fascinada pela trajetória (ainda que fictícia) de Merlin, e assim o máximo que conhecia acerca do mago era - pelas barbas de Merlin! - era seu papel de tutoria ao Rei Arthur, e então passei a conhecer uma boa parte dos detalhes e pormenores da história ao ler O Mago de Camelot.Eu sempre imaginei Merlin como aquele velho majestoso e dotado de uma barba enorme, que bastava querer, e o mundo estaria em suas mãos. Na realidade, durante sua infância, Merlin passou por um tenso período de provações em sua infância. Sua mãe, uma prostituta de influência tão negativa quanto os adjetivos que proferia contra Merlin e seu irmão Nennius, não dava outra alternativa a estes senão uma vida de pequenos furtos para que pudessem sobreviver.
Após um longo tempo na prisão, os dois irmãos são libertados por Blaise, um mestre druida que, a pedido de um monarca, fará um ritual para proteger uma edificação central de guerra do reino cujo ingrediente é nada menos que o sacrifício dos dois irmãos. No entanto, ao tentar sacrificar Merlin, a natureza intervêm e Blaise acaba por assassinar Nennius, vendo no sangue do garoto a profecia da salvação do panteão druida. É assim que Blaise leva Merlin para Avalon - o lar dos druidas - para instruí-lo e ensiná-lo a controlar as forças da natureza. Os druidas representam, no livro, os seguidores de uma tradição de culto e fé aos poderes da natureza. São seres dotados de poderes inimagináveis, e no entanto temidos e dados como alvo de crítica e respeito.
"O Mago de Camelot" não é o que se pode chamar de livro envolto de mistério e suspense, tudo acontece em um jogo rápido, em que pormenores e enigmas não fazem parte do esquema narrativo. O autor deixa claro que a intenção não é inserir o leitor no contexto da história, como os livros de hoje em dia, mas apenas contá-la. Não há qualquer enfoque nas relações e natureza de um personagem que se dê indiretamente, há apenas a trajetória de Merlin e sua aliança com Arthur, a fim de livrar a Britânia da hipocrisia e da religião criada e mantida pelos homens.
Ao ler O Mago de Camelot, é possível notar a riqueza do vocabulário do autor, que apesar de fazer o leitor consultar, muitas vezes, o significado de alguns termos, não deixa sombra de dúvidas acerca de qualquer momento da narrativa, a tornando clara e sólida.
Por conter uma narrativa ás vezes incomum, eu como leitor devo dizer que a leitura foi um pouco demorada para um livro pequeno, como este. Apesar de sempre estar curioso para saber o que vinha a seguir e virar a página, eu acabei por não me deixar levar pela vontade insaciável de demorar o livro.No entanto, a leitura se deu de forma prazerosa. Marcelo Hipólito transformou a já muitas vezes contada história de Merlin em um cenário inovador e crítico. Devo apontá-la como uma leitura saudável para admiradores de histórias medievais, fãs de "As Crônicas de Gelo e Fogo" e, certamente como livro paradidático, dada a presença de um pensamento iluminista na obra.
BIOGRAFIA DO AUTOR
MARCELO HIPÓLITO é um escritor brasileiro, nascido em São Paulo. É autor dos romances O Mago de Camelot: a saga de Merlin para coroar um dragão (Novo Século, 2013), Osíris: deus do Egito (Marco Zero, 2009) e Lúcifer: o primeiro anjo (Marco Zero, 2006).
Hipólito participa das antologias Fiat Voluntas Tua (Multifoco, 2009) e Metamorfose: a fúria dos lobisomens (All Print, 2009). Além disso, é autor do e-book Dullahan: os cavaleiros sem cabeça (Navras Digital, 2013) e coautor de diversos contos publicados em língua inglesa, nos Estados Unidos, Reino Unido e Espanha, dentre os quais se destaca Eternal Grief, indicado para melhor conto de horror nos Estados Unidos, em 2003, pelo Preditors & Editors Readers Poll.
Hipólito é também diretor de três filmes de curta-metragem de ficção, roteirista de cinema e produtor de teatro.



