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segunda-feira, 2 de março de 2015

Cortem-me a cabeça!

RESENHA CRÍTICA DO LIVRO 'O LADO MAIS SOMBRIO"

SINOPSE

Alyssa Gardner ouve os pensamentos das plantas e animais. Por enquanto ela consegue esconder as alucinações, mas já conhece o seu destino: terminará num sanatório como sua mãe. A insanidade faz parte da família desde que a sua tataravó, Alice Liddell, falava a Lewis Carroll sobre os seus estranhos sonhos, inspirando-o a escrever o clássico Alice no País das Maravilhas.
Mas talvez ela não seja louca. E talvez as histórias de Carroll não sejam tão fantasiosas quanto possam parecer. 
Para quebrar a maldição da loucura na família, Alyssa precisa entrar na toca do coelho e consertar alguns erros cometidos no País das Maravilhas, um lugar repleto de seres estranhos com intenções não reveladas. Alyssa leva consigo o seu amigo da vida real o superprotetor Jeb , mas, assim que a jornada começa, ela se vê dividida entre a sensatez deste e a magia perigosa e encantadora de Morfeu, o seu guia no País das Maravilhas.
Ninguém é o que parece no País das Maravilhas. Nem mesmo Alyssa...
Título: O Lado Mais Sombrio (Splintered); Autor: A.G. Howard; Páginas: 368 Editora: Novo Conceito; Ano: 2014;


quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

A Escolha Perfeita pra 2015.

Nessa última semana do ano, muito se tem comentado acerca do que houve e do que virá em 2015. Além de desejos pessoais e cristãos, há as promessas de continuação de sagas e filmes agraciados pelo público brasileiro. 
Dentre os lançamentos esperados para 2015, temos: a continuação das séries da escritora Meg Cabot (o Diário da Princesa, que ganhará dois livros, e A Mediadora, que ganhará um livro); e novas continuações em filmes de curta metragem das sagas Crepúsculo e Harry Potter. A animação favorita das crianças em 2014, Frozen, retornará em uma série de livros como continuação da história, sendo publicada pela editora Random House.
Na posição de mais esperados do ano estão Os Vingadores 2: A Era de Ultron e Cinquenta Tons de Cinza, baseado no romance homônimo de E. L. James. Há também rumores acerca de uma continuação de Malévola. A atriz Angelina Jolie afirma que adoraria reviver a vilã mais uma vez.
São previsões ótimas e tudo indica que 2015 será um ano repleto de novidades e bons resultados.

Desejo profundamente que as séries que acompanho (The Vampire Diaries e The Flash¹) voltem desse hiatus tenebroso. Entretanto, minha maior espera é o lançamento da continuação do filme musical Pitch Perfect (A Escolha Perfeita), de longe meu filme favorito, considerando minha paixão pelos musicais, e pra comemorar o lançamento do segundo filme, resolvi falar sobre ele no último post do ano.
Beca é uma garota alternativa que quer se mudar para Los Angeles e seguir sua carreira como DJ, mas é forçada pelo pai a ingressar na Universidade de Barden e se formar antes de assumir o controle de sua própria vida, e é na faculdade que ela encontra as Barden Bellas: um grupo musical à capella feminino que tenta se recuperar do fracasso das finais do ano passado.
Trata-se de um grupo um tanto quanto antiquado que performa sempre a mesma música da Madonna e vem se arrastando nas competições. A líder - leia-se ditadora - Aubrey já não pode mais contar com o antigo padrão de beleza do grupo e então se vê obrigada a selecionar integrantes mais alternativas (anormais), como a jovem DJ, que acaba criando uma resistência contra os métodos ultrapassados de Aubrey, que erradica suas tentativas de inovação.
Rebatendo a algumas críticas, está longe de ser um filme feminino, a se contar pelo contraste de grupos sociais alternativos a que as garotas pertencem, não se caracterizando como patricinhas fúteis e eliminando qualquer contexto maçante do filme - desculpa, Aubrey!
The Treblemakers - Please Don't Stop the Music
A medida certa de humor está presente em todas as cenas, mesmo dublado o filme extrai altas gargalhadas do expectador com os níveis mórbidos de esquisitície das personagens, e esse caráter hilariante do filme se intensifica ainda mais quando as Bellas confrontam a cada cena os Treblemakers - um grupo a capella masculino da mesma faculdade que sempre arrasa nas competições e vence os campeonatos, assumindo um papel vitalício de rivalidade com as meninas.
Como um filme musical, achei as músicas muito bem escolhidas e, as performances, fantásticas. O filme vem contribuindo bastante com uma integração da música a capella - em que se faz todos os instrumentos e efeitos sonoros da música com a própria voz -, que se torna ainda mais efetiva com a disparada do grupo musical (real e um pouco mais antigo que o filme) Pentatonix².
A maioria são músicas inescutáveis, como um barulho insuportável no ouvido, mas os arranjos musicais que fazem no filme são totalmente diferentes, como se renovassem a música e a deixassem muito melhor. Tipo Right Round, do Florida. Não acho a música muito atraente, mas a performance dos Treblemakers nas regionais foi sensacional. 
Além disso, o filme tem bons diálogos. Cenas interessantes, com uma menções e citações externas compreensíveis e altamente atraentes. Há uma pitada de romance, como praticamente todo filme do gênero que envolve meninos e meninas, mas em vez de tornar algo tosco e gerar todo o enredo do filme, se torna apenas um suporte para a comédia dessa longa metragem.
Falando em evolução, essa é Lily Onakuramara.
E sim, isso é vômito. 
Percebe-se também um caráter evolutivo em cada uma das personagens centrais, que vão se desenvolvendo desde o início do grupo até o final do filme - ou melhor, até as finais do campeonato acapella -. Inclusive, ocorre uma espécie de mesa redonda próxima ao desfecho do filme, que põe em prática o que foi vivenciado, é claro que de forma muito irônica e carregada de humor.
Acho que minhas personagens favoritas são a Amy Gorda, a melhor cantora da Tasmânia com dentes e também a responsável pela maior parte da graça do filme, a Chloe, porque ela é ruiva, e o Benjamin Applebawn (deus me perdoe se escrevi errado), o figurante mais retardado e bolado do filme.


Beca, a protagonista, também é uma personagem adorável e prova que mesmo as mocinhas decididas bem resolvidas têm seus problemas no fim das contas - e, pelo amor de Deus, ela não teve sonhos eróticos com todos os caras da faculdade na primeira semana, merece um Oscar. Também é um grande avanço para sua intérprete Anna Kendrick, que não só mostrou que sabe soltar a voz como também que não é só mais uma coadjuvante boba com um belo par de seios do interior (a.k.a Jessica de Crepúsculo).
A continuação desse filme de título um tanto quanto sugestivo será lançada no dia 15 de Março de 2015 - e já não vejo a hora de cuspir a pipoca pra fora toda vez que a Amy Gorda abrir a boca -, então se você nunca assistiu o primeiro filme da sequência, não perca tempo - me arrisco a dizer que essa escolha será um tanto quanto... perfeita! :)








"Comi minha gêmea no útero. " (LISPECTOR, Lily)


¹ Olha, acho que vou falar sobre The Flash aqui no blog. 
² Ah, sim, o Pentatonix vai fazer parte do segundo filme. Legal, né?

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

[RESENHA] Herói - Emerson Dantas e Pimenta

SINOPSE

Em uma quarta-feira qualquer a vida pode se transformar completamente. No que parecia ser um dia comum, a história de Eric muda de forma inexplicável. Sendo apenas mais um em meio a tantos, com sua família normal, os mesmos amigos de sempre, e as inseguranças de qualquer adolescente, Eric sofre um acidente e quando desperta se vê em um lugar completamente estranho. Não há nada ao seu redor que faça sentido. Nada familiar. É quando ele decide se levantar e procurar uma maneira de voltar para casa, encontrando pessoas, perigos, amigos, inimigos, o amor; situações fantásticas que mudarão completamente o seu destino.
Título: Herói; Autor: Emerson Dantas e Pimenta; ISBN: 9788566725148; Ano: 2014; Páginas: 216; Editora: Buriti;

RESENHA

Eric é um garoto comum no ensino médio numa cidade no interior de Minas Gerais, vivendo diariamente com um grupo de fiéis e inseparáveis amigos. Sim, comum. Eric não nasceu com superpoderes. Não tem um histórico familiar agravante ou uma trágica busca por respostas. Eric é, sobretudo, comum, não clichê. Confesso que, quando iniciei a leitura esperava que ele e seus amigos sofressem um acidente, entrassem em contato com material radioativo e se tornassem super-heróis livrando o mundo de vilões perversos.
Bem, eles realmente sofrem um acidente. Entretanto, Eric acorda sozinho em uma espécie de universo paralelo e, diga-se de passagem, bastante medieval. É lá que encontra o reino pouco receptivo de Asterion e é preso por medidas preventivas, acabando por dar escapadelas da prisão por conta de um sentimento crescente pela princesa Elli.
O reino de Asterion é parte integrante de uma aliança de paz entre quatro reinos, renovada a cada ano por meio de um jantar – motivo pelo qual Eric foi mantido em custódia, à desconfiança de que ele fosse um feiticeiro. Se havia alguma sombra de maldade no rapaz, esta se tornou evidente quando, por um revés, foi pego na cena do assassinato de um nobre estrangeiro. Assim, para evitar sua morte, Eric foge com a princesa, levando o julgamento de que a teria sequestrado, e assim se inicia a trama do livro em busca da volta do garoto para sua terra, e da Princesa por sua mãe desaparecida.
Em uma escrita detalhada e paradoxalmente fluida, Herói traz uma narrativa espelhada em pequenas observações cotidianas, não chegando a ser prolixa, mas com uma escolha certa de palavras que faz toda a diferença na hora de imaginar a cena em questão. É um livro curto, rápido e perigosamente extenso. Não sei como demorei tanto para terminar.
A construção do ambiente em torno do livro foi bem construída, observando-se um excelente fundo de pesquisa por trás da escrita de Emerson Pimenta. As descrições do castelo, das vilas e dos caminhos pelos quais as personagens passaram, trabalhadas em uma riqueza absurda de conhecimento. 
As personagens centrais foram reveladas de forma interessante antes, durante e depois do decorrer do livro. Um grupo improvável formado entre uma princesa fugitiva, o namorado extradimensional acusado de assassinato e feitiçaria, o guarda real enviado para resgatá-los, uma criatura de espécie renegada e uma guerreira paga para destruí-los. Todos eles caíram de para-quedas na história.
Androw, o guarda brutamontes, uma figura aparentemente sem sentimentos além da fidelidade ao seu reino se mostra reservado desde o início. Um tipo com um jeito para boas batalhas, sendo ao tempo todo referenciado como touro no livro. Mesmo em situações mais complicadas se veem traços de sentimentalismo (ou melhor dizendo uma prévia disto) e humanidade no guerreiro, que segue lutando com seus ideais ao lado dos amigos.
A Princesa Elli, com uma história conturbada desde o peculiar desaparecimento da mãe encontra no namorado a esperança de tê-la novamente, ligada à ideia de perdê-lo, e desde então vem lidando com isso. Por mais que, em dados momentos a partir do início oficial da trama, fosse ela a tomar as decisões, Elli não se via tão segura quanto parecia, e isso ficou evidente após alguns diálogos “de rotina”.
Tigo mantém uma característica crescente de felicidade incondicional a partir do momento em que é salvo por Eric. Mesmo que perigosa, é uma criatura de pequenas dimensões e aspecto infantil, sendo sua presença durante a narrativa como a de uma criança sábia, fazendo observações coerentes e infantis durante a aventura.
Como uma Kira, Lori deveria seguir seu instinto mercenário e matar Eric. Entretanto, um traço de humanidade surge na acrobata e a deixa apaixonada pelo garoto, de forma que aos poucos vai se tornando uma personagem mais interativa sentimental e ideologicamente, se tornando fortemente ligada ao trabalho em equipe então desenvolvido.
Por fim, Eric. Já disse que ele é um garoto comum de uma cidade do interior? Eric tem um sonho: ser herói. Um garoto sem um preparo físico digno, condições financeiras agradáveis (principalmente naquele mundo), ou qualquer resquício de poder sobrenatural, como poderia ser um herói? É estritamente curioso, como coisas simples, como sua bondade, sua lealdade, e seu amor por Elli foram capazes de transformá-lo em um. No fim, o astuto Eric não precisou sofrer nenhum tipo de mutação. O poder estava dentro de sua bagagem. Um isqueiro. Um revólver? Não. A trajetória do herói fora na verdade o processo de amadurecimento da personagem. 
Arriscado dizer que, em contrapartida, o vilão por trás da trama conspiratória dentro do reino de Asterion se torna muito claro no início do livro – claro, poderia haver um engano –, entretanto a cada menção a esse personagem há uma confirmação de que é o vilão. Ou melhor, um dos. 
Afinal, surge ainda mais um vilão trabalhando em aliança com este primeiro por um mesmo propósito – com ideais diferentes é claro –, gerando uma certa reviravolta. Um antagonista, citado por vezes mas que só surge na história uma vez e acaba por firmar o amadurecimento da personagem central como um herói.
E, por fim, uma promessa de vilão para o próximo livro, desencadeada de eventos no mínimo macabros que ocorrem no fim da trajetória e antes do período narrado no livro. Penso que, na sequência de Herói, teremos uma trama ainda mais eletrizante e bem trabalhada, superando as expectativas da primeira.
Herói é um livro de aventura escrito sob medida. Mesmo suas cenas ocorrem com algum propósito e algum envolvimento na trama original do livro. As cenas de ação do livro têm uma boa duração e não enjoam, sendo escritas a detalhes reflexivos, que acabam por ater o leitor de vez à narrativa. 
Com seus traços de romance, Herói não remete aos clássicos e trágicos – leia-se clichês – romances adolescentes da literatura atual, de forma que o amor entre Eric e Elli segue uma linha tênue e comum, mas que tem grande efeito sobre o amadurecimento de Eric como Herói. 
O livro escrito por Emerson Dantas e Pimenta traz, finalmente, algo novo e genuíno para uma literatura brasileira contemporânea repleta de compra de ideias – para não se dizer plágio –. É um livro fantástico, para ler em casa, na escola, no trabalho ou nas nuvens, e é minha sugestão de livro nacional.

domingo, 1 de junho de 2014

[CRÍTICA] Witches of East End


Quem me conhece sabe que sou admirador do místico e do sobrenatural. Desde contos de fada até as máximas e (talvez nem tanto) assustadoras histórias de macabras de vampiros e bruxos. Então, quando estreou, no ano passado, o seriado Witches of East End(Bruxas do Leste), não tive outra alternativa senão acompanhá-lo religiosamente.
A trama de Witches of East End tem como núcleo o clã das bruxas Beauchamp, composto por Freya, Ingrid, Joanna e Wendy. Como resultado de um antigo julgamento, elas foram proibidas de usar magia e expulsas de Asgard - dimensão mágica que, no seriado, está presente como o lar das bruxas -. Confira abaixo o trailer do seriado.
 Joanna é a mãe de Freya e Ingrid, e tem como poder ressuscitar os mortos. Ingrid é a mais velha e prevê o futuro. Freya é a mais nova e tem uma aptidão brilhante com poções. Wendy, a irmã de Joanna e tia das garotas, se transforma em gato e, como tal, possui várias vidas - uma seleção de poderes incríveis para o mais incrível clã de bruxas. De acordo com a maldição, Joanna passa os anos de sua vida imortal vendo suas filhas nascerem, crescerem, desenvolverem seus poderes e, ainda durante a vida adulta, morrerem. Como se já não bastasse o sofrimento pela perda das filhas, não se faz muito tempo desde a morte da última filha para que Joanna engravide de Ingrid, seguidamente por Freya.
Uma trama tão sinistra e ao mesmo tempo peculiar para a família aperfeiçoa, no seriado, a forma como elas são vistas "imbatíveis", mas como punição por tanto tempo de existência, é claro que o poderoso clã de bruxas do East End conseguiu muitos - e bons - inimigos ao longo do tempo, que não tardam a se voltarem contra elas.
Desta vez, Joanna optou por esconder de suas filhas o mundo da magia, a fim de fazer suas vidas durarem mais, o que acabou deixando as garotas despreparadas para o que viria a seguir. A trama irreverente e especialmente "original" acaba dando um enfoque aguçado à presença quase onipotente do clã, o que acaba lembrando a família de bruxas Cromwell, do longa-metragem infanto-juvenil  intitulado Halloweentown.
Nos primeiros minutos do seriado, o telespectador se depara com um cemitério, em que um bruxo metamorfoseado na figura de Joanna prepara um ritual e assassina uma das testemunhas do tão macabro rito. É então que todos estão se dirigindo à uma festa de noivado. O noivado em que Freya - a noiva - encontra o rapaz com quem tem sonhado ultimamente, e para a surpresa do audiente, este rapaz é ninguém menos que o irmão de seu noivo.
Em uma trama muito interessante, Witches of East End contrasta diferentes figuras e personalidades num mundo mágico e tentadoramente contemporâneo - em que bruxos usam celulares - intersectando os dois mundos e deixando um pouco de lado a medievalidade constante em muitas séries e filmes de bruxas. Só que, como toda boa produção, WEE peca em algum ponto muito forte, e desta vez se dá pelo infindável clichê dos dois homens - de personalidade distinta e beleza incomparável - apaixonados pela mesma mulher. O clichê se torna ainda maior quando estes dois homens (Dash & Killian Gardiner), são irmãos, retornando à tentativa já realizada em The Vampire Diaries. Comicamente, Killian representa a figura do badboy da série, de traços físicos e psicológicos que nos lembram Damon Salvatore, de Diários do Vampiro.
Talvez não tenham pecado tanto assim, já que por traz deste triângulo amoroso há uma longa história por traz das gerações passadas, entrelaçando cada personagem a um dado momento das vidas passadas, o que retorna o seriado à posição de uma de minhas favoritas.  A primeira temporada de 10 episódios quase deixou os fãs na dúvida, exceto por um final de reviravoltas no mínimo aguardadas, introduzindo a próxima temporada de Witches of East End, que vai ao ar no dia 06 de julho deste ano, para sanar as dúvidas acerca da possível morte de umas das personagens do seriado.