sábado, 17 de maio de 2014

[RESENHA] A Metamorfose - Franz Kafka


Livro: A Metamorfose
Autor: Franz Kafka
Editora: Abril
Número de páginas: 78

Kafka é um dos autores mais inquietantes de século XX. Nesta novela, o leitor vive a agonia de uma caixeiro-viajante que, de repente, se vê transformado em um inseto grotesco, em um registro absurdamente realista.


Escritor do século XX, Franz Kafka nasceu em 1883 e morreu em 1924. Ao longo de sua vida, dedicou-se a escrita de obras emblemáticas, que são, verdadeiramente, consideradas, marcos da literatura moderna. Entretanto, mesmo com histórias que exalavam qualidade, o escritor decidiu entregá-las a um amigo e pediu para que ele as destruísse. Felizmente, Max Brod não realizou a vontade de Kafka, e, postumamente, as obras kafkanianas foram publicadas. O fato de o autor pedir que alguém desse fim às suas obras pode ser entendido como algum tipo de problema na forma de enxergar-se a si mesmo. Esse impasse fica evidente ao se conhecer a biografia de Kafka e, também, seus escritos.
A novela “A Metamorfose” conta a frustração de Gregor Samsa, um caixeiro viajante que após acordar de seus sonos intranquilos vê-se transfigurado num inseto gigante, feio e asqueroso, assemelhando-se a uma barata. No entanto, não é somente isso que o livro propõe. Nas entrelinhas da novela, é possível ver a aura de sofrimento e desolação que envolve a personagem principal e, por isso, somente o público geralmente acima dos 13 anos de idade consegue ter uma interpretação mais conceituada do livro.
Não é possível ler sequer uma página do livro em que não haja nenhum tipo de menção à frustração de Gregor, que em sua forma de inseto, sentia cada vez mais nojo de seu próprio ser, de sua própria existência. E, ao manter-se na falta de apoio de algumas personagens da estória – em sua maioria, familiares. Então, Gregor acaba sendo demitido devido à sua nova condição física, e isso só intensifica o agravante da crise de Gregor.
Faz-se necessário notar, então, que ainda no clima de nojo pela própria existência, Kafka traz a já citada frustração de uma forma um tanto quanto minimalista, como se, por exemplo, Gregor houvesse sido contaminado por alguma vírus (quem sabe, AIDS).
É partindo desta ideia de “desimportância” do absurdo, que surgem os questionamentos acerca do que haveria inspirado o autor a narrar a história daquela forma. Kafka escreveu o livro durante a crise da Belle Époque, quando estava em meio a uma crise existencial chamada crise da Modernidade.
De um outro ponto de vista, Kafka lembra também algumas fases da vida, como por exemplo: a adolescência, em que em meio às transformações, é difícil a adaptação do ser humano para que possa se sentir bem em sua nova fase; a velhice, em que o ser humano chega a sentir nojo de si mesmo, por estar incapacitado, à mercê dos cuidados alheios, resultando apenas em problemas e incompreensão.
Com base no sentimento de impotência de Gregor Samsa, podem-se influir muitas coisas, mas nenhuma estará mais correta, se não, a própria citação do autor, em uma carta: “Precisamos de livros que nos afetem como um desastre, que nos angustiem profundamente, como a morte de alguém que amamos mais do que a nós mesmos, como ser banido para florestas distantes de todos, como um suicídio. Um livro tem que ser o machado para o mar congelado dentro de nós.”
Pode-se dizer, assim, que “A Metamorfose” é um livro de poucas páginas, mas muitos conceitos, interpretações e, sobretudo reflexões, que fazem o leitor imergir nas páginas repletas de mistério e ignorância, tanto da parte da protagonista quanto do leitor, que nada sabem sobre o misterioso acontecimento.
A obra é certamente indicada àqueles que sofrem algum tipo de crise existencial, podendo ajudar muito o leitor a lidar com as dificuldades e, mais precisamente consigo mesmo. É ainda imprescindível que todo e qualquer estudante ou simpatizante da psicologia leia este livro, ou não saberá o que é, de fato a crise da impotência.



Esta resenha está participando do Desafio das Mil Páginas. Status: 78/1000

15 comentários:

  1. O livro parece um tanto complexo. Gostei da citação sobre livros, é realmente bom quando lemos algo impactante.
    Abraços!

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    1. Na realidade, o livro não se mostra complexo, a não ser que reflita sobre sua mensagem (caso contrário o livro se tornará apenas um livro sem noção de um autor maluco que deu sorte). E, acredite, foi mais impactante ainda para mim que nunca havia lido algo do tipo.

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  2. Oi, Luiz, tudo bom?
    Primeiramente, parabéns pelo blog.
    Tenho uma imensa vontade de ler esse livro. Acho importante também ler os clássicos da literatura. Estou adquirindo esse hábito aos poucos.
    Mas, além de visitar seu blog, vim avisar que te indiquei na TAG Conhecendo o Blogueiro. Espero que possa brincar nessa TAG. Visita lá meu blog [http://deamoresevicios.blogspot.com.br/2014/05/tag-1-conhecendo-o-blogueiro.html] e fica sabendo mais sobre a TAG e sobre mim <3
    beijo, e mais uma vez, parabéns pelo blog.

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    1. Heeeey Shamylle, obrigado! Eu não tenho tanta preocupação com os clássicos da literatura, inclusive sirvo-me do estereótipo de que a maioria deles são terríveis, mas sei reconhecer suas exceções... E obrigado pela indicação! Logo responderei a TAG! :)

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  3. Eu já tentei ler esse livro. Não dá. É muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito chato. Acho que não passei das primeiras páginas. Mas é engraçado como na resenha você fez parecer que livro é bom...

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    1. Também achei chato, a princípio. Na realidade, o livro era pra ser lido num fôlego, mas a atmosfera calma que nos envolve de incompreensão acaba por retardar a leitura.

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  4. Cézar Meneghetti17 de maio de 2014 23:51

    É meu favorito pois contribuiu de forma grandiosa para meu amadurecimento como ser humano e marcou meu período de transição entre a adolescência e a idade adulta.

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    1. Não duvido, é realmente uma grande mensagem acerca das bruscas mudanças na vida do ser humano.

      Abraços!

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  5. Nunca tinha ouvido falar nesse livro, acredita? Mas a sua resenha me deixou super curiosa, adorei a questão do cara acordar como um inseto, que bacana kkkkk Espero um dia poder ler esse livro, pois fiquei muito interessada mesmo. Beijos :*

    Larissa - Srta. Bookaholic

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    1. Seriously? Eu me matava se isso acontecesse, BUT, como a trnaformação vem num sentido conotativo, dá pra relevar, haha. E, sobre sua leitura, ele é bem acessível em qualquer livraria, e baratinho (uns sete reais). Se não me engano ele faz parte da coleção "Literatura em Minha Casa". ;D

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  6. Não conhecia, mas depois da sua resenha fiquei tipo: geeeeeeeeente :o
    Parece meio tenso de ler, mas gostei! haha
    Beijinhos, Isa.

    Heart of Sunday

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    1. É muuuuito tenso, mas dá pra ler num fôlego. São só 78 páginas. XD

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